柔の道
A gravata frontal que não para de pegar a minha levantada
A levantada que o Professor David me apontou funciona até a hora em que não funciona mais, e o lugar onde ela para é sempre o mesmo. Se eu vou na perna e não boto a pessoa no chão no primeiro tempo, o braço dela vem por cima da minha nuca, eu acabo dobrado numa gravata frontal, e a entrada morreu.
Faz sentido quando você vê o formato da coisa. Subir para a entrada me deixa num meio-termo ruim: a cabeça para a frente, o quadril para trás, o peso pendurado numa perna que eu não terminei. Essa postura é exatamente o que uma gravata frontal foi feita para punir. O wrestling me ensinou isso anos atrás, e o jiu-jitsu acrescenta uma versão mais cruel, porque aqui a mesma gravata vira uma guilhotina. Ficar pendurado ali, dobrado, não é mais só um momento ruim: é um estrangulamento esperando para fechar.
Então a resposta não é um contra-ataque secreto. É se recusar a dar à posição a pausa de que ela se alimenta.
Não pare no meio da entrada
A maior correção de todas é também a mais óbvia. Quando eu lutava wrestling na adolescência, eu não tinha força para levar uma entrada direto até o fim, então peguei o hábito de fazer em duas partes: entrar, aguentar o sprawl por baixo e depois subir de volta pela perna para terminar, quando sobrasse um tempo. Pontuava, mas criava uma pausa no meio de todo ataque, e essa pausa é exatamente a porta por onde a gravata frontal entra. A levantada entrega a mesma porta para quem está por cima de mim. Eu subo, paro para me reorganizar, e o braço já está por cima do meu pescoço.
Hoje eu sou mais forte do que era na adolescência, e eu acho que a correção de verdade, para mim, é parar de tratar a entrada como dois movimentos e terminá-la como um só. Subir e atravessar a perna de uma vez só, em vez de subir, parar no meio e caçar a parte dois. A porta só abre se eu deixar aberta.
O resto das correções
As outras são menores, e a maioria é a mesma coisa que um treinador de wrestling berraria do outro lado da sala.
- Cabeça erguida, e por fora. Cabeça baixa é presente para quem está por cima. Eu mantenho a cabeça erguida e a levo para fora do quadril dele, do lado de lá da perna que eu estou pegando, onde o braço que envolve não alcança.
- Suba em ângulo. Subir reto pelo meio entrega o meu pescoço para a gravata. Cortar para o lado enquanto eu subo tira o braço da gravata da jogada antes que ela feche.
- Brigue contra as mãos cedo. Se eu bloqueio ou descolo o braço que faz o frame na subida, a gravata frontal nunca chega a ser montada. Impedir o encaixe é muito mais fácil do que escapar dele.
- Segure a perna. No instante em que eu largo a perna para embaralhar, eu fico meio levantado, com a cabeça na frente, as mãos vazias e fácil de puxar pela nuca. Segurar a perna mantém o outro defendendo em vez de caçando o meu pescoço.
- Solte de propósito quando a entrada morrer. Segurar a perna não é uma regra para seguir a qualquer custo. Se a gravata já está funda e o estrangulamento está chegando, eu entrego a perna deliberadamente, no meu tempo, e recomponho a guarda. Uma queda perdida sai barato; uma guilhotina encaixada, não. Escolher soltar não é a mesma coisa que pausar.
- Queixo para baixo, sempre. Quando tudo dá errado mesmo assim, um queixo colado no peito transforma uma guilhotina fechada de volta num apuro apenas ruim. O pescoço sai primeiro, depois a cabeça.
Nada disso é novo para mim. A briga de cabeça, a briga de mãos, a recusa a ficar dobrado, eu faço tudo isso desde moleque. O que o jiu-jitsu mudou foi o castigo por errar. A resposta para uma gravata frontal continua sendo a resposta que sempre foi: não seja lento, não fique baixo, e não deixe o seu pescoço de fora, onde alguém possa pegá-lo.
Isto é um diário de iniciante, não instrução. Nada aqui é orientação de treino, saúde ou medicina. Aprenda com um professor qualificado e bata cedo. Aviso legal