柔の道

Infecções de pele no jiu-jitsu, e como evitá-las

O grappling é horas de pele pressionada contra pele, e contra um tatame que cem outras pessoas usaram esta semana. O mesmo contato próximo que faz o esporte funcionar é também como as infecções de pele passam de uma pessoa para a próxima. Vale dizer sem rodeios, porque o aluno novo ou entra em pânico com isso ou ignora, e a verdade fica no meio: isso é real, é comum, e na maior parte é barrado por hábitos tão sem graça que é fácil pular.

As que você vai ouvir falar de verdade

Três tipos aparecem nos tatames de grappling, e todos os três viajam do mesmo jeito, pelo contato. A fúngica é a mais comum: a micose, um anel de pele irritada que se espalha. É tão rotineira na luta olímpica que ganhou nome próprio, tinea gladiatorum, e passa de pessoa para pessoa pelo toque, não pelo chão do vestiário. A viral é a que assusta: a herpes de tatame, ou herpes gladiatorum, uma erupção de pele causada pelo mesmo vírus da herpes labial. Ela se move rápido no aperto do corpo a corpo, e como pode levar dias para aparecer, alguém pode transmiti-la antes mesmo de saber que está com ela. Um único surto em um acampamento de luta olímpica, documentado no New England Journal of Medicine, percorreu boa parte do acampamento em poucos dias. A bacteriana é a terceira: o estafilococo e o impetigo, que ganham porta aberta pelos pequenos cortes e queimaduras de tatame que o esporte distribui de graça.

Nada disso significa que academias de grappling são sujas. Significa que são de alto contato, que é um problema diferente com uma solução diferente.

Como é tratar isso, de fato

Vale a pena saber antes de decidir se compensa uma consulta, porque a resposta costuma ser um creme e um par de semanas. Uma única mancha de micose normalmente é tratada com um creme antifúngico sem receita, aplicado uma ou duas vezes por dia durante duas a três semanas — e a última semana é a que mais importa, porque o anel para de parecer alguma coisa muito antes de o fungo sumir de verdade, e parar cedo demais é como as pessoas se reinfectam e contaminam a sala. Quando está espalhada, ou o creme já falhou, o médico passa para comprimidos, geralmente um tratamento de duas semanas.

A herpes de tatame é outro remédio: um antiviral, só com receita, e quanto mais cedo começa depois do primeiro formigamento ou da primeira bolha, melhor funciona. Infecções bacterianas recebem antibióticos, e uma área vermelha que se espalha com febre, ou uma ferida que piora dia após dia, é atendimento no mesmo dia, não esperar para ver.

Quanto tempo você fica de fora de verdade

Essa é a parte com que as academias são discretamente rígidas, e a parte que os iniciantes costumam errar no chute. Para a micose, o padrão comum emprestado da luta olímpica é que você volta a treinar depois de um certo número de dias de tratamento — não quando para de coçar — e qualquer mancha que reste fica coberta direito, não escondida sob um rashguard na esperança de que ninguém note. Para a herpes de tatame é mais longo: as feridas precisam estar totalmente cobertas de crosta e secando, sem nenhuma nova aparecendo, o que geralmente significa mais de uma semana fora e muitas vezes mais tempo ainda num primeiro surto. Feridas bacterianas precisam estar secas e cicatrizando, com um tratamento de antibióticos já em andamento.

Ninguém gosta dessa parte. Mas a literatura sobre luta olímpica é direta sobre o motivo: surtos num esporte de contato próximo não são graduais. Uma única pessoa infectada que treina mesmo assim pode contaminar a sala inteira em questão de dias, e aí é toda a turma da academia que fica de fora, em vez de uma pessoa só.

O que de fato mantém isso longe de você

A prevenção não tem glamour e funciona. Tome banho logo depois da aula, toda vez, não depois de resolver outras coisas no caminho. Lave o kimono depois de cada treino e deixe secar por completo, nunca esquecido úmido dentro da mochila. Cubra qualquer corte aberto ou queimadura de tatame antes de começar a treinar. Mantenha as unhas curtas, use chinelo no vestiário, não compartilhe toalhas nem lâminas de barbear, e lave as mãos com vontade. Nenhuma dessas é genial. Cada uma delas quebra um elo da corrente que todo aquele contato está tentando construir.

A regra de etiqueta que mais importa

Se você tem algo ativo, uma erupção que se espalha, uma ferida que vaza, um anel na pele que você não consegue explicar, fique fora do tatame até um médico examinar. Cubra, fique de fora do round, e não tente dar o diagnóstico sozinho a partir de uma foto na internet. Esta é a parte que não é sobre você. Treinar com uma infecção de pele é assim que o problema de uma pessoa vira o problema de oito até o fim da noite, e a maioria das academias faz disso uma regra exatamente por esse motivo. As boas fazem valer a regra sem pedir desculpa.

Mais uma coisa que vale a pena saber, porque mostra o quanto o esporte leva isso a sério: em um acampamento de luta olímpica de longa data que viu surtos repetidos, dar a cada atleta um antiviral preventivo diário reduziu a chance de um surto de herpes em cerca de 85 por cento ao longo de uma década de acampamentos. Isso não é algo que um iniciante precise — é uma medida de acampamento de competição, prescrita e supervisionada — mas é uma boa medida do risco que existe numa sala cheia de treino pesado, e de quanto desse risco acaba sendo evitável.

Se você está se perguntando se a questão da orelha e a questão da pele são preocupações parecidas, elas são da mesma categoria: lesões que o esporte distribui em silêncio, que na maioria das vezes só se tornam permanentes quando alguém espera demais.

O tatame devolve o que você traz para ele. A cortesia inteira é aparecer limpo, e ficar em casa nos dias em que você não consegue.

Isto é um diário de iniciante, não instrução. Nada aqui é orientação de treino, saúde ou medicina. Aprenda com um professor qualificado e bata cedo. Aviso legal