柔の道

Mais palavras que você vai ouvir: a edição das finalizações

Ilustração em tinta — Mais palavras que você vai ouvir: a edição das finalizações

O primeiro glossário cobriu os cômodos da casa: guarda, montada, cem quilos, as coisas que as pessoas fazem entre eles. Esta é a parte dois, os nomes dos finais. Você vai ouvir todos eles gritados pelo tatame meses antes de alguém ensinar algum, geralmente numa frase como "cuidado com a kimura", dirigida à pessoa que está aplicando a kimura em você nesse exato momento.

Mesmas regras da última vez: palavras simples, sem purismo, e enfaticamente sem instruções. São descrições para reconhecer o que acabou de acontecer, aprendidas do jeito que eu as aprendi. Bata cedo para tudo o que vem abaixo, principalmente o que encosta no pescoço.

Estrangulamentos, a família que encerra mais rounds

Mata-leão. Da pegada das costas, braços ao redor do pescoço, sem precisar de kimono nenhum (em inglês chama-se rear-naked choke, o estrangulamento "pelado", por isso). O final mais famoso do esporte e o motivo de a pegada das costas ser a melhor posição do jiu-jitsu.

Estrangulamento cruzado. As lapelas do seu próprio kimono, cruzadas no seu pescoço e usadas contra você. Ser finalizado pela própria roupa é um rito de passagem; o meu primeiro está documentado no post do progresso, ambas as ocorrências.

Guilhotina. O estrangulamento frontal, com a cabeça presa. Famosa por pegar quem mergulha nas pernas com o queixo levantado, que é o motivo de os professores repetirem queixo para baixo.

Triângulo. Um estrangulamento feito das pernas de alguém, fechadas ao redor do seu pescoço e de um dos seus próprios braços. Geometria como arma; o nome descreve a forma que o seu apuro desenha.

Arco e flecha. Um estrangulamento de gola a partir das costas em que quem finaliza termina no formato de um arqueiro. Está entre os estrangulamentos mais fortes do kimono, e é estranhamente elegante de assistir da parede.

Chaves de braço, a família com os avisos mais educados

Armlock. As duas pernas e o corpo inteiro do outro contra o seu único cotovelo, alavancado até esticar. Chega devagar o bastante para você bater, que é o sistema inteiro funcionando como projetado.

Kimura. Uma chave de ombro com o punho preso numa pegada em figura quatro, batizada em homenagem ao judoca Masahiko Kimura, que a usou para vencer Hélio Gracie em 1951. Você vai ouvir esse nome mais do que qualquer outro desta lista.

Americana. A imagem espelhada da kimura, atacando o ombro na direção oposta, geralmente de quem está por cima. Em inglês também chamam de keylock.

Omoplata. Uma chave de ombro aplicada com as pernas, a partir da guarda. O nome, desta vez, nem precisa de tradução: é a escápula mesmo, e a posição parece impossível nas primeiras doze vezes que você a vê.

Ataques de perna, a família sobre a qual a sua academia tem regras

Chave de pé reta. O ataque de perna que a maioria das academias libera cedo, a famosa botinha.

Chave de calcanhar. A que a maioria das academias proíbe até as faixas altas (em inglês, heel hook), porque ataca o joelho com pouquíssimo aviso entre apertado e lesionado. Regras de academia sobre chaves de perna variam mais do que regras sobre qualquer outra coisa: aprenda as suas na primeira semana, a lição das regras silenciosas do post da etiqueta na sua forma mais afiada.

O padrão por baixo dos nomes

Todo nome acima responde às mesmas duas perguntas: o que está sendo atacado, e com o quê. Quando você passa a ouvi-los assim, o zoológico vira um índice, e "cuidado com a kimura" deixa de ser ruído e vira o tipo mais útil de frase da sala: um aviso com nome.

Reconhecer não é defender, e esta página não é treino. Mas no dia em que um round terminar e você souber o que o terminou, anote o nome. Um diário cheio de derrotas nomeadas chama-se currículo.

Isto é um diário de iniciante, não instrução. Nada aqui é orientação de treino, saúde ou medicina. Aprenda com um professor qualificado e bata cedo. Aviso legal