柔の道
O sistema de faixas, explicado sem misticismo
O sistema adulto de faixas do jiu-jitsu são cinco cores: branca, azul, roxa, marrom, preta. É um mapa da estrada, não um cronograma para percorrê-la, e quem te vende um cronograma está te vendendo alguma coisa.
Estou na base desse mapa, então o que segue não é sabedoria vinda do cume. É como o sistema parece visto de baixo, que é a vista que todo iniciante realmente tem, e a vista que ninguém se dá ao trabalho de escrever.
O que cada cor parece certificar
Branca certifica que você apareceu. Não é piada. A sala não pede mais nada de você, o que levei semanas para acreditar.
Azul certifica sobrevivência. Os faixas-azuis com quem rolo não sabem mil técnicas. Sabem não entregar as coisas: os braços ficam em casa, o pescoço fica coberto, o peso fica pesado. Quando vejo um deles lidar com um faixa-branca novo, estou vendo alguém fluente em tudo que eu ainda faço mal.
Roxa é onde a sala começa a fazer perguntas em vez de respondê-las. Os faixas-roxas da minha academia dão aula quando o professor viaja, e ninguém acha isso estranho.
Marrom, vista daqui de baixo, parece um faixa-preta lixando as últimas arestas. Não sei dizer o que um faixa-marrom sabe que um roxa não sabe. Do pé da montanha, os acampamentos de cima se misturam.
Preta não certifica que a pessoa vence. Certifica que a arte atravessa a pessoa intacta: ela consegue fazer, explicar e entregar para outra pessoa. Meu professor chama a faixa-preta dele de habilitação provisória com letra mais bonita. A direção nunca para.
Graus, em resumo
Entre uma faixa e outra, a maioria das academias dá graus, pedaços pequenos de fita na barra preta da faixa, até quatro por cor. Escrevi um post inteiro sobre o que o primeiro grau mede de verdade, então não vou repetir aqui, só a versão de uma linha: a fita certifica presença na sua própria mudança lenta.
Quanto tempo leva cada faixa
Anos. Essa é a unidade honesta. Não meses, e ninguém sabe te dizer quantos anos, porque as variáveis são você: com que frequência treina, como o seu corpo aguenta, o que a sua academia valoriza, em que década da sua vida você começou.
A primeira vez que perguntei, meu professor respondeu com uma pergunta: "Quanto tempo até você ficar confortável por baixo do cem quilos?" Eu não sabia. "Pois é", ele disse. "Mesma resposta."
Qualquer academia que imprime uma tabela na parede, pague tanto e faça o exame em tantos meses, respondeu uma pergunta diferente da que a faixa faz. A faixa pergunta o que você consegue fazer. O cronograma pergunta o que você consegue pagar. Os dois sistemas medem coisas diferentes, e só um deles precisa que você treine de verdade.
O que as cores fazem o dia inteiro
Principalmente, dizem a quem perguntar. A faixa na cintura de alguém é o sistema silencioso de triagem da sala: quem pode me mostrar a fuga de quadril de novo, quem vai rolar leve com o novato, quem observar quando o professor demonstra e eu não consigo ver a pegada. Rolar com os graduados me ensinou que eles não são adversários em nenhum sentido que importe. Eles são o currículo, vestindo ele.
A faixa também mantém o kimono fechado, nos dias bons dela.
Tenho uma faixa-branca com um pouco de fita nela, e sei exatamente o que botou essa fita ali. Esse é o misticismo inteiro. O sistema é lento, público e impossível de falsificar numa sala cheia de gente que sente exatamente o que você sabe. Acho isso reconfortante. Todo o resto na minha vida pode ser embelezado. A faixa, não.
Isto é um diário de iniciante, não instrução. Nada aqui é orientação de treino, saúde ou medicina. Aprenda com um professor qualificado e bata cedo. Aviso legal