柔の道
A dor do primeiro mês: o que é normal e o que não é
Na manhã seguinte à minha segunda aula, fiz o inventário na cama: pescoço, costelas, quadril, os dois antebraços e um conjunto de músculos entre as escápulas que eu não sabia nomear porque nunca tinha sido apresentado a eles. Levantar foi um projeto. Presumi que tinha feito algo errado.
Eu tinha feito algo novo, o que é idêntico por mais ou menos um mês. Mas misturados a toda essa dor honesta existem sinais que significam pare, e ninguém entrega o manual de triagem. Aqui está a versão que montei com professores, parceiros de treino e uma fisioterapeuta que treina na minha academia. É orientação, não conselho médico; corpo, na dúvida, vai para um profissional.
A dor que significa que está funcionando
A dor normal do primeiro mês é difusa, espalhada e mais ou menos simétrica. Mora no músculo, chega na manhã seguinte ou na outra, e some em um ou dois dias. Dor de pegada tão profunda que você sofre para abrir um pote: normal, quase um rito. Os músculos misteriosos em volta das costelas e do pescoço: normal, são o preço de aprender a se mover no chão. Sensação de atropelamento no dia seguinte ao rola: normal, alguém de fato estava em cima de você.
O tratamento não tem glamour: sono, água, movimento leve e os dias de descanso que o post sobre frequência de treino já defendeu. Uma caminhada faz mais que o sofá. Dor assim é a adaptação acontecendo, e encolhe mês a mês até que, de um jeito estranho, você quase sente falta. No dia em que acordei depois da aula me sentindo apenas cansado, conferi se eu tinha mesmo ido.
Os sinais que significam pare
Outro bicho: dor aguda em vez de difusa, súbita em vez de gradual, de um lado só em vez de simétrica, ou morando numa articulação em vez de num músculo. Uma fisgada que faz você se mover diferente. Qualquer coisa no pescoço que mude o jeito de virar a cabeça. Inchaço. Um dedo da mão ou do pé apontando numa direção nova. Dor que ainda está se apresentando três ou quatro dias depois.
Nada disso é fraqueza saindo do corpo. É o corpo protocolando um relatório, e o relatório vai para um profissional, não para o grupo do WhatsApp nem para mais um round só para testar.
A parte que ninguém fala em voz alta
Treinar com dor de verdade não compra credencial de durão. Na academia, as pessoas com décadas de tatame são exatamente as que pulam um round, enfaixam o dedo, procuram o fisio cedo. Elas não continuam treinando apesar da cautela. Continuam treinando por causa dela.
Dolorido é a mensalidade. Machucado é o cheque especial. Aprenda a diferença no primeiro mês e você vai passar anos repetindo isso para os novatos, do lado bom da sala.
Isto é um diário de iniciante, não instrução. Nada aqui é orientação de treino, saúde ou medicina. Aprenda com um professor qualificado e bata cedo. Aviso legal